FESTIVAL GARIMPO 2009 - SEGUNDA PARTE

 
Sexta-feira, 11 de setembro – Uma noite de carnaval
 
A quarta noite do festival Garimpo 2009 começou com Graveola e o Lixo Polifônico (MG) e Nuda (PE), mas um bar e umas piadas de português pelo caminho fizeram com que eu chegasse ao Studio Bar já ao finalzinho do show do Nuda, que acabei não assistindo. Acontece.
 
 
 
Pelo clima e lotação do lugar dava pra perceber que a noite ali estava (e esteve) boa desde o primeiro show. Só elogio por parte das pessoas que lá estavam. O Eddie (PE), banda escalada para fechar a noite, fez uma espécie de carnaval fora de época dentro do Studio Bar. Sério. Show lotado, público cantando e dançando tudo do início ao fim como se não houvesse amanhã. Ou quase. Destacar uma música do show, em especial no show do Eddie, talvez não seja muito legal com o conjunto, com o todo. Show redondo dentro da proposta da banda para um público que parecia esperar o Eddie há algum tempo.
 
Hora de descansar do carnaval para a próxima noite do Garimpo.
 
 
Sábado, 12 de setembro – Uma noite de despedida (em grande estilo)

 

A última noite do Garimpo 2009 começou com o Pelos de Cachorro (MG) e seu “arte-rock” ou “música cabeça”, de acordo com a definição de alguém durante a apresentação da banda. “Música cabeça” talvez possa parecer um tanto quanto pejorativo para definir o grupo. Mas o que nota-se no som do Pelos, e que se reforça no palco, é a busca / experimentação por uma identidade sonora peculiar, não esquecendo do visual e de letras que tentam fugir do lugar comum. Talvez por isso a banda intitula-se como “arte-rock”. Já que buscam unir algumas vertentes artísticas com música. Em resumo, um show interessante.

 

Cada show que o Los Porongas (AC) faz em Belo Horizonte parece ser melhor que o anterior. Parece não. É. E a apresentação da banda no Garimpo talvez não possa ser definida com outra palavra senão emocionante, do início ao fim. Ótimas canções com músicos acima da média e o público acompanhando tudo não poderia resultar em outra coisa senão emoção. E Diogo Soares é um caso meio incomum dentro do cenário da música nacional (e não apenas o cenário independente, viu?). Ele é um daqueles raros vocalistas que cantam com a alma, com o peito. E isso não é pagação de pau. É constatação, ok? Percebe-se que ele está em cima do palco unicamente pela música. Como deveria ser em um mundo ideal. Além de algumas canções inéditas, estavam lá as presenças estonteantes de “Espelho de Narciso”, “Nada Além”, “Não Há”, “O Escudo” e “Ao Cruzeiro” (que não é sobre aquele time mineiro, como ressaltou Diogo).

O Garimpo deste ano poderia muito bem ter chegado ao fim após o show dos acreanos, sem dúvida. Mas “ninguém tocaria depois do Los Porongas senão o Transmissor (MG)”, como disse Terence Machado. E a apresentação da banda contou com a costumeira competência que eles têm em cima do palco. Além disso, coloque aí boas músicas como “Nada Vai Mudar”, “Eu e Você”, “Primeiro de Agosto” e “Dez Segundos” mais o público de casa acompanhando e se empolgando com o show e você tem um final à altura do que foi a terceira edição do festival Garimpo.
 
Acabou. É a vida.
 
Mas pelo menos cinco dias deram para suprir um pouco da vontade de ver shows de algumas das boas bandas do cenário independente nacional em Beagá. Além disso, junte com uma boa organização, um som decente, a escolha certeira do local para abrigar o festival este ano, um público antenado e disposto a conhecer novos sons e você tem a melhor edição do Garimpo até agora. Sem dúvida. Resta saber o que a organização do festival vai arrumar em 2010. Vamos aguardar.
 
Texto e fotos por Lafaiete Júnior

 [5] comentários
[mais]
 
Programa Alto Falante no: Orkut  //  MySpace