O Outrorock, umas das iniciativas mais interessantes surgidas em Belo Horizonte nos últimos anos, chega a sua segunda edição com o mesmo lema (e ralação) punk - o faça você mesmo - do ano passado. Ao todo são 16 bandas que uniram esforços para realizarem um evento gratuito em praça pública. Tudo na raça. Tudo com a vontade de fazer alguma coisa para mudar/melhorar a situação para todo mundo. Tudo com a intenção de difundir música e cultura de maneira coletiva. A união faz a força, já diz o ditado.
A edição deste ano ocorre na Praça da Savassi no próximo final de semana (3 e 4 de outubro), a partir das 13 horas. O Alto-falante bateu um papo com Artênius Daniel, da banda Cinza, que falou em nome do Outrorock 2009. Confira.

Como surgiu a ideia e o conceito do Outrorock?
Já há aproximadamente 3 ou 4 anos, algumas figuras ligadas à cena de Belo Horizonte começaram, paralelamente, alguns projetos para a criação de um grande evento do rock de BH. Uma dessas ações foi o Primavera Rock, em 2006, que foi cancelado na noite anterior por falta de alvará da casa onde aconteceriam os shows. O festival teria bandas como o Carolina Diz, Cinco Rios, Impar, todos de BH, além do Dado Villa Lobos, como convidado, e prometia ser o pontapé inicial de algo muito grande pra cidade. Infelizmente foi um balde de água fria. Simultaneamente, outras bandas como o Monno, o Dead Lover’s Twisted Heart, o Enne começaram a circular pelo Brasil num ritmo muito forte, receber elogios da imprensa especializada, e representar muito bem o estado nessa cena da Abrafin, do Circuito Fora do Eixo e da chamada nova música brasileira. A união desses dois grupos de artistas - do Primavera Rock e da circulação nacional - aconteceu em 2008, quando todas essas pessoas descobriram que, apesar de sermos todos muito amigos, frequentarmos os mesmos lugares, não tínhamos a experiência de criar ações em conjunto. A forma escolhida foi a interlocução com a Prefeitura Municipal. A aproximação aconteceu por causa de outro projeto muito bacana, no Teatro Marília, que foi o Quarta Sônica (com shows de graça às quartas feiras). O Outrorock surgiu, portanto, como uma investida dessa nossa geração - que é o rock mineiro dos anos 2000 - em se tornar conhecida e legitimada para a cidade.
Por que a escolha da Praça da Savassi como local para abrigar o evento?
Foi uma decisão de interagir e, praticamente, homenagear aquele espaço que é clássico para a cultura rock em BH. Desde os metaleiros na década de 80, até a juventude hardcore que se apropriava do postinho da Obra nos anos 90, até a turma nova que deixa a praça abarrotada, todas as noites, atualmente. A Savassi mantém uma essência rock muito grande. Algo como ter 16 anos, um all-star batido, os amigos mais legais do planeta e descer pra Savassi pra fazer qualquer coisa. Isso é identidade espacial, antropológica, territorial de uma região importantíssima da cidade. Isso é importante para o Outrorock porque, em um segundo momento, nas suas próximas ações, a idéia é exatamente oposta: circular e descentralizar. A iniciativa é contemplar as nove regionais de Belo Horizonte. Por isso, precisamos partir do centro para levar o que está ali até as margens, assim como retornar das margens até o centro e constatar que BH é toda rock. Muito. Temos certeza disso.
Fale sobre as parcerias e os problemas para a realização do festival em praça pública.
Os problemas são poucos quando se encontra os parceiros certos. É importante ressaltar, primeiramente, que a Belotur / Prefeitura Municipal foram bastante compreensivos com essa coisa toda e patrocinam toda a estrutura do festival. Um evento em praça pública tem, como grande desafio, ser democrático, inclusivo e, principalmente, criar um ambiente de conforto e interação. Todos os cidadãos da cidade pagam ingresso do Outrorock, porque pagam seus impostos, porque votam e são representados nessa cidade, etc. São 2,5 milhões de pagantes. A coisa tem que ser útil para a cidade. Felizmente, Belo Horizonte vive um momento de aproximação de iniciativas legais, de gente que está sintonizada, mobilizando, compartilhando, se conhecendo e encontrando objetivos em comum. No Outrorock reunimos parte desses amigos: o Coletivo Pegada, que está se revelando como uma iniciativa de muito fôlego na conceituação e fomento à cultura independente; a ONG Favela é Isso Aí, que entende bastante sobre acesso à cultura, democratização dos bens culturais, etc; A Feira do Vinil, do site Discoteca Pública, que faz um trabalho quase de memória e acervo da música brasileira, e o coletivo Queijo Elétrico, que tem experiência na coisa da documentação audiovisual e vai dar uma força fundamental à causa.
Belo Horizonte precisa de outras iniciativas como o Outrorock? Em outras áreas...
Precisa. Tem precisado. E o mais legal é que elas estão perdendo a timidez e estão se firmando de vez: Duelo de MCs, Mostra Cine BH, Do Morro ao Asfalto, Savassi Festival, Roodboss Soundsystem, o próprio Conexão Vivo que é um evento super acessível em um dos parques mais bacanas de BH. O evento público, que dialoga com a cidade e com seu espaço, é a oportunidade maior que a cultura tem para transformação da sociedade. Belo Horizonte é de todo mundo, é fundamental que a gente se divirta em algum espaço dela. É assim que a cultura nos ajuda a refletir, juntos, o que falta pra cidade em termos de desenvolvimento, sustentabilidade, justiça social, preservação do meio ambiente, política pública, etc. A cultura em BH faz parte da história da cidade. Ou seja, quem faz cultura tem um compromisso com isso tudo.
Quais as mudanças (ou novidades) da primeira para a segunda edição do festival?
Nessa edição, além da Feira do Vinil, teremos uma feira de moda, uma feira de música independente, a participação de vários Djs amigos (Cris Foxcat, jjbz, Mi Simpatia, Amplis e Vatos) e a coisa toda vai ser transmitida pela internet. Pra assistir é só entrar no www.myspace.com/outrorock
O que vocês esperam da edição 2009 do Outrorock?
Esperamos que as pessoas se apropriem do festival. Que elas celebrem muito a oportunidade de ter 16 ótimos shows de rock em praça pública e que cheguem à conclusão de que isso é, absolutamente, indispensável pra cidade.
E o que o público pode esperar?
Artistas empolgadíssimos em se esforçar ao máximo - em cima ou atrás do palco - para isso acontecer.

SERVIÇO
Sábado 3/10 – A partir das 13h
Monno
Dead Lover’s Twisted Heart
Pelos de Cachorro
Junkie Dogs
Cinza
Enne
Radiotape
Cães do Cerrado
Domingo 4/10 – A partir das 13h
Transmissor
Graveola e o Lixo Polifônico
Carolina Diz
The Folsoms
César Maurício
Julgamento
Cinco Rios
Aldan
Local: Praça da Savassi (Antônio de Albuquerque, entre Alagoas e Cristóvão Colombo)
Entrada franca
Informações: www.myspace.com/outrorock