SEXO ANAL - uma novela marrom

 
Logo na terceira página o autor deixa o aviso para amigos, parentes e conhecidos:

"Se você é meu amigo, parente, vizinho ou conhecido, peço desculpas antecipadas pelo constrangimento. Se você parar de falar comigo depois da leitura dessa novela, vou entender perfeitamente... Jamais vou perguntar a qualquer um ‘você leu minha novela?’ pois, apesar de não parecer, eu tenho bom senso. Obrigado!"


Não é para tanto. Se tivesse sido meu pai o autor do livro, ainda continuaria o chamando de pai e prestando os devidos respeitos. Mas também não é nem de perto como se o título do livro fosse alguma piadinha pós-moderna. Tipo um livro chamado "Tomates" que fala sobre batatas. A novela é mesmo sobre sexo anal. Não exclusivamente sobre o assunto, mas a prática de foder pela retaguarda é bastante recorrente nas 204 páginas do livro de Luiz Biajoni.

Mas não vá achando que é apenas a cara de pau de colocar tão milenar assunto de interesse no centro do que texto que faz "Sexo Anal" um livro tão bacana. Logo de cara dá para citar a narrativa: curtinha e livre de qualquer exibicionismo, a leitura corre que é uma beleza. Dá para ler "Sexo Anal" de uma vez só (sinceramente acho que todo mundo já fez o trocadilho de "...numa única sentada").

Mas o que realmente encanta é que "Sexo Anal" é um livro de personagens. No plural. Ao contrário da moda que toma conta dos novos autores nacionais - que levam a idéia de primeira pessoa ao pé da letra para escreverem única e exclusivamente sobre os próprios autores-personagens -, Biajoni opta por trabalhar principalmente a relação entre os personagens. Meia dúzia de personagens interagindo dentro do universo criado pelo autor, onde, é claro, sexo é a principal motivação. E aí entram as obrigatórias qualidades de carinho pelos personagens e o não-julgamento moral sobre suas ações e decisões – qualidades que sobram no texto de Biajoni.

Também conta muito o lado marrom do livro. "Sexo Anal" corre junto com a atmosfera do muito popular jornalismo marrom brasileiro. Os "jornais que pingam sangue" e suas manchetes são presença marcante no livro, imprimindo um certo tom exploitation ao texto.

No fim fica a recomendação sincera ao livro. Divertido e sincero como poucos.

O livro, ainda não publicado por nenhuma editora, pode ser baixado no blog do autor.

[7] comentários


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