FOXBORO HOT TUBS - STOP DROP AND ROLL!

 

por Rafael Marques de Souza

Após American Idiot, o Green Day acabou carregando para si a incubência (ou o fardo?) de ser o porta voz de uma geração insatisfeita com os rumos de seu país e, em certa medida, do mundo. Algo similar à panfletagem e à ideologia que o Clash levava ao seu público na década de 70 e 80. Muita expectativa foi criada em cima da banda para o sucessor daquele disco e o que eles tinham para falar. Pelos primeiros versos da música "Stop, Drop and Roll" (Sixteen and a son of a bitch/Got a gun and a strychnine twitch/Little girl on the graveyard shift/Out of control and doesn't give a shit) o que se deduz é que eles estão pouco se lixando pra política e querem cair na pista de dança e se divertir.

Para tal, eles tiveram que sair das personas corretas e engajadas do Green Day e assumir a identidade dos garageiros revivalistas de Foxboro Hot Tubs. Stop, Drop and Roll!!! é diversão de alta octanagem, embalada por bebidas, mulheres, velocidade. As influências são claras: Kinks, Who, Yardbirds, Monks, Love e outras bandas de garagem. Ouça "Alligator" e a sensação de que já ouviu aquilo martelará sua mente. E provavelmente já deve ter ouvido mesmo, pois é uma corruptela esperta de "You Really Got Me". E "27th Ave. Shuffle"? Revire sua coleção de discos, mp3, - o que for - e ouça novamente "Run, Run, Run" do Who e tire suas conclusões.

Mas a banda soa, bem... ahn, muito como o Green Day também. Não é de se estranhar, não tanto pela obviedade de serem os próprios, mas tendo em vista que é uma banda de punk, um estilo que reverenciava a música simples e direta, como o rockabilly dos anos 50 e o rock de garagem dos anos 60. No entanto, eles são habilidosos e espertos o bastante para conseguir nos enganar em meio à produção (vocais com reverbs, uso de órgãos da época, por exemplo) e à própria execução da música (Billy Joel diversas vezes tenta carregar sua fala com um certo sotaque britânico).

 Seja considerando um exercício de estilo, uma farra entre amigos ou a possibilidade de fazer o que der na telha sem comprometer a reputação consolidada como Green Day, Foxboro Hot Tubs e seu Stop, Drop and Roll!!! são vitoriosos naquilo que se propõem, descompromissados, voláteis e efêmeros, assim como anunciam em Broadway: "I, I'm just killing time now/I do it all the time now/and it's killing me".

 

Rafael a.k.a Mortonoquilo não exerce profissão de publicitário, apesar da formação. Rehab da cultura pop é recusado sem ressentimentos. Ele sempre lamenta por não ter vivido na década de 60 (pelo menos nesta semana) e o seu blog Clave Seus Ouvidos é uma tentativa de entrar neste século. Às vezes pensa conversar com Deus. Em algumas delas, descobre que na verdade está ouvindo On The Beach... nas outras, Ziggy Stardust.

  


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